A moda que influenciou uma década Por Cristina Costa / Fotos: Divulgação
Quem
pensa que Elvis Presley influenciou
apenas o mundo musical, está muito enganado. No ramo da moda, a sua
presença é bem maior do que se pode imaginar. Afinal, o astro americano imortalizou
o macacão com capa, pedras preciosas, correntes de ouro, fartas costeletas e,
claro, o famoso topete.
Mas,
limitar a imagem do Rei e sua influência na moda a esse figurino, é esquecer
sua longa trajetória de vida. O garoto de visual comportado do sul dos Estados
Unidos, que se apresentava de terno e gravata, deu lugar ao jovem irreverente
de roupas ousadas que tornou um sucesso na década de 70.
Em
uma conversa, o artista Marcio Aguiar, que interpreta Elvis na Avenida Paulista,
revelou-nos algumas curiosidades sobre o figurino que Elvis Presley usava em
seus shows. Segundo ele, existiam alguns códigos e garante que as roupas do
astro não eram roupas qualquer, nem mesmo o penteado. Tudo que usava havia um significado. “O topete veio de um amigo, o ator
James Dean. A costeleta surgiu do caipira, era uma homenagem ao country. A gola alta era porque achava
que tinha o pescoço cumprido demais. A calça boca-de-sino foi ele quem criou, e
a ideia veio da roupa quimono, que é do caratê.” Explica.
Márcio
conta ainda, que essa roupa ele usou dos anos 69 a 77, e o nome dela é James
Street. Nele havia uma águia desenhada com pedrinhas, que para quem não sabe,
era o símbolo da inteligência americana. O macacão branco detalhado em pedras preciosas
era o figurino mais usado pelo astro, e por isso virou sua marca registrada.
Márcio
Henrique de Aguiar, o Elvis da Paulista, veste o figurino do rei do rock e faz
seu show na avenida mais movimentada de São Paulo
Por Cristina Costa / Fotos: Cristina Costa
"Gostaria de fazer um show na laje, mas o povo não me chama!"
Elvis não Morreu. O rei do rock continua existindo, e a maior prova disto é quantidade de artistas urbes que o interpretam mundo a fora. Na Avenida Paulista, por exemplo, é fácil enxergar, a cada canto da calçada, um artista que se apresenta. São inúmeros os talentos, vão de instrumentistas a dançarinos. Mas é na esquina da Rua Frei Caneca, em especial, que notamos a “muvuca” que se aglomera ao redor de um tapete xadrez, um amplificador e uma placa colorida, escrito “Welcome To fabulous Las Vegas”.
Entre gritos e aplausos o show está prestes a começar, e o artista da vez é o famoso “Elvis da Paulista”, interpretado pelo paulistano Márcio Aguiar de 41anos. Macacão branco, sapato de couro com bico, topete levantado, um microfone e, claro, um gogó de ouro. Apesar de nunca ter estudado a língua inglesa, o Elvis da Paulista, não deixa a desejar. Canta e traduz todas as músicas do rei do rock, e brinca que o grande mestre foi a internet.
Aguiar, que já interpretou mais de trinta personagens na vida, morou em vários estados do Brasil como Goiás e Brasília, mas foi em Minas Gerais que a arte pulsou em suas veias. “Estava de saco cheio de empresários e picaretas. Então resolvi fazer aquilo que sabia que é imitar. No início, comecei fazendo o Dinho do Capital Inicial, Zé Ramalho, Raul Seixas e até mesmo Mamonas Assassinas. O negócio deu tão certo, que já na primeira semana, ganhei destaque em todas as mídias” diz.
Cansado da mesmice, resolveu inovar. Estudou várias personagens e, então, adotou o Elvis. Márcio não esconde o prazer que teve em interpretar as outras personagens. Até hoje arrisca um Dinho Ouro Preto, mas admite “fazer Elvis é muito mais viciante”.
Interpretando o Rei do Rock, Márcio conquistou prestígios e ganhou muito dinheiro. Suas performances são tão ilustres, que em um ano e meio de personagem, foi considerado um dos cinco artistas mais célebres e lembrados da cidade de São Paulo, ele diz: “O segredo do sucesso é Deus e a humildade”.
Apesar de se apresentar em espaços urbanos, Aguiar não se considera um artista de rua. Defende que seu ponto de trabalho é em uma avenida. “Se estudar a geografia, somos todos artistas urbanos. A maioria dos artistas de São Paulo se apresentam na Sé, no Teatro Municipal, na Avenida Paulista e não na rua. Eu, por exemplo, trabalho em uma avenida. É um preconceito que estamos tentando derrubar” explica.
Sobre a arte, o artista tem uma opinião formada “A arte é muito mais complexa do que aquilo que os professores ensinam em sala de aula. Na verdade, nenhum professor está preparado para falar a palavra arte”, e completa “quase todas as pessoas que se apresentam nas ruas de são Paulo, não são artistas. Tem muito entretenimento, e muitas cópias. Em alguns shows meus, por exemplo, sou artista, já em outros, não. A palavra artista, não pode ser dada apenas como prêmio. A pessoa tem que saber primeiro o que é arte, para depois falar que é artista” comenta.
Quem tem o interesse de conhecer esse ilustre artista, que para carros, ônibus e enlouquece as mulheres ao rebolar suas pelves, é só visitar a Avenida Paulista e encontrar um aglomerado de pessoas gritando e batendo palmas. É ele, “O Elvis da Paulista”. Confira o show do Elvis:
Antes de começar esse texto,
devo lembrar, a quem for ler essas próximas linhas, devo avisar, que não é uma
“tabuada” que você deve decorar, linha por linha, pra começar a fazer suas
“artes”. Comigo aconteceu desse jeito, cada um tem sua história e seu aprendizado
de vida e de muro, o que vou colocar são algumas observações e fragmento da
minha memória.
Não lembro ao certo quando
foi o início de tudo, creio que quando estava na 4º série do colégio, já estava
flertando com os muros junto com os meus amigos, na ilegalidade da pichação ou
rabiscando carteiras da escola (que na minha opinião é onde sai os melhores
desenhos).
Mas, mesmo assim, o que
sempre me chamava a atenção eram os grafites. Desenhos enormes feitos no muro,
cheio de cores e sombras (naquele tempo só usava “colorgin” e olhe lá, não
tinha acesso à lata de spray importada que nem hoje) e ficava intrigado e me
perguntando, como ele fez? Quanto tempo
demorou? Quem que fez? Será que a polícia o pegou depois de terminado o
desenho?
Nisso, empolgado e querendo
aprender sobre o grafite, comecei a criar e copiar meus primeiros desenhos. Naquele
tempo eu não tinha pessoas próximas a mim, somente os muros. Confesso que na
folha de papel eu me saía bem, mas na hora de chegar aos muros, era uma negação.
Sim, para o grafite é preciso certa habilidade e controle com a lata de spray,
e para isso é necessário muita prática.
Com o passar do tempo, fui
sendo apresentado a outras manifestações artísticas (Zines, Colagem, Vídeo e
Música), que despertaram meu interesse também. Sem ter a mínima ideia que se
tratava de um tipo de “arte”, comigo sempre foi “poxa, isso é legal, me
ensina?”.
Creio que se você leu esse
texto até aqui, deve estar se perguntando: “Esse texto é sobre a sua história de
sucesso no mundo da arte?”, longe disso, meu caro. Uma, que atingir “sucesso”,
essa coisa lúdica, nunca foi minha meta. Sempre me interessei por coisas que me
davam prazer em fazer.
O intuito de escrever um
pouco das minhas experiências é transmitir que, se você não sair da sua zona de
conforto, acabará parando no tempo.
Caso eu não tivesse a
curiosidade e o interesse em aprender sobre o grafite, por mais que não tivesse
nenhuma vocação para isso, provavelmente ainda seria aquele menino da 4º série
pichando até hoje (nada contra a pichação também, acredito que foi dela que
comecei a me arriscar mais na vida).
Tudo que eu aprendi e faço
até hoje, em relação arte, sempre foi mais por esforço e querer fazer
acontecer, do que ter um “dom”. Ser predestinado a fazer aquilo (sem falsa
modéstia). Nessas minhas transições em diferentes plataformas, pude ter a
oportunidade de conhecer pessoas novas (que são meus amigos até hoje), estar em
lugares nos quais jamais iria pensar em conhecer, e todas essas oportunidades
eu tive, não pelo fato de estar inserido ou fazer parte de algum “movimento”,
mais sim, por sempre ter a mente e o coração aberto e estar disposto aprender e
a me empenhar naquilo que eu fazia.
Agora a pergunta que eu
faço para encerrar esse meu texto é:
A dica desprograme para conhecer a arte de rua, em casa
Por Cátia Reis l Foto: Divulgação
Sem dúvidas, a arte de rua vem ganhando cada vez mais espaço e exposição não só no Brasil como no mundo. Tanto que em diversos lugares artistas expressam suas artes, seja por meio da música, grafites, desenhos, números circenses e tantos outros. O que não falta para esses artistas é a criatividade.
Portanto, acabou tornando-se uma importante série no canal de TV por assinatura +Globosat. Com o tema Ateliê Urbano, a série de 10 episódios, teve sua estreia no dia 13 de outubro de 2014, as 22h30 e mostra um panorama das três capitais mais importantes, São Paulo, Rio de Janeiro e Nova York, que hoje concentram o maior número de artes de rua e de seus idealizadores.
Vale a pena acompanhar a série. É uma ótima ideia para conhecer e entender o que pensam os artistas urbanos, além do poder da arte nas grandes metrópoles do mundo.
No cartão postal da cidade, o artista esbanja talento com sua flauta transversal
Por Cristina Costa l Fotos: Cristina Costa
Tocando sua flauta transversal, atrai público que curtem sons de músicas eruditas, Jazz, Choro, e Bossa Nova
Quem passa pelas calçadas do Conjunto Nacional, da Avenida Paulista, ou em ruas no centro da cidade, certamente já ouviu um som doce e agradável de uma flauta que pertence a um dos artistas de rua mais famoso da cidade. Trata-se do músico e professor Emerson Pinto de 50 anos, mais conhecido como Pinzindin. Influenciado pela arte desde pequeno, Emerson conta que estudou música, e durante anos deu aulas para crianças em colégios da elite como Pueri Domus e o Pequeno Príncipe.
Cansado da vida rotineira, decidiu largar o conforto das escolas e trilhar sua arte na liberdade das ruas.
“Eu era professor de música de uma escola muito boa, de pessoas ricas. Passava o dia dando aulas. Quando chegava em casa, não tinha disposição para nada, nem mesmo para comer. Percebi que a minha arte era grande demais para permanecer em ambientes fechados. Foi então, que resolvi largar a escola e ir para as ruas. ” Quando o dinheiro do fundo de garantia acabou, foi tocar em frente ao MASP. Desde então, adotou as ruas como palco para sua arte.
Artista de rua há mais de 27 anos, Pinzindin revela que nem sempre foi fácil conseguir um espaço nas calçadas. “Temos os horários divididos, porque tem muita gente e a demanda é grande. No começo o pessoal era meio resistente e o gostinho de ganhar uma grana era muito bom. Tem gente que esquece que o espaço é para ser dividido.” E acentua: “quando era criança, minha mãe sempre ensinou a dividir as coisas com o outro. Hoje em dia, parece que o outro não existe.” O músico explica que cada artista tem um horário para permanecer em um local e que também existem regras a serem seguidas. “Temos a lei 15. 776 e o decreto onde fala que cada artista só pode permanecer em um lugar por 4 horas. E para aqueles que se apresenta com som, a permanência é até às 22h.” apesar da lei sancionada em maio de 2013, muito dos artistas fogem as regras, causando certa rivalidade entre eles.
Afirma que já foi vítima de atos preconceituosos e que essas ocorrências acontecem com todos e em qualquer lugar. “Gente preconceituosa existe em todos os ângulos. O mundo é dividido em duas partes: pessoas boas e ruins. Se o cara se incomoda com a minha arte, ele é um coitado. Estudei pra caramba e o meu trabalho é de boa qualidade”, explica.
Além de músico e professor, Pinzindin também é presidente da Associação dos Artistas de Rua da cidade de São Paulo e faz parte do Conselho Municipal de Cultura da Sé. Confira Emerson tocando:
O músico Nando Lynch, 54 anos, toca na rua há mais de 25 anos. Começou a tocar em Buenos Aires, nos anos 80, na época a Argentina era considerada um país de 1º mundo e era fácil faturar uma boa grana tocando na rua "Comecei a tocar em Buenos Aires, em 85, era um pais de primeiro mundo, era legal, agora quebrou. Ganhava na rua, sacolas e sacolas de grana, porque é mais cultural do que aqui" conta.
Aos 15 anos sua mãe lhe deu um violão de presente, a partir disso começou a treinar sozinho em casa, tirando canções clássicas do rock'n'roll. Mas, assume que o seu grande influenciador foi o pai, um tocador de acordeon "Meu pai, já faleceu, mas ele tocava acordeon e isso me influenciou muito".
Simultaneamente à música, já foi professor de inglês, dava aulas particulares na casa das pessoas, porém deixou de lecionar por achar uma rotina muito estressante, acordar cedo, ir até a casa da pessoa, depender da disponibilidade dela para dar a aula. Por isso, decidiu deixar a profissão de professor de lado e dedicar-se somente a música.
Quando acabou o ensino médio, não quis continuar a vida acadêmica, preferiu viajar, porque para ele a música preenche mais, é mais forte do que ir todos os dias à um escritório e abrir mão da sua liberdade.
Com as malas feitas e o violão nas costas, tocou nas ruas de vários cantos do mundo, começou por Buenos Aires, depois Estados Unidos, Londres e Madri.
Na rua Nando prefere tocar sozinho, pois em conjunto com vários instrumentos faz muito barulho.
Fora do circuito das ruas, já tocou no Terraço Itália, no Clube Homs, no Zaiz, em festas de formatura, bares e bailes. Com algumas bandas, como a Extremos que toca um pouco de tudo, samba, pop, bailinhos, e a Netuno que é mais segmentada para o rock.
Seu repertório além de músicas compostas por ele, é repleto de músicos músicos clássicos Beatles, Pinkfloyd, Black Oak Arkansas, Bad Company, entre outras. Sobre suas preferencia pelos clássicos declara "Essas coisas de agora, não têm criatividade, letra ou melodia, não tem nada".
Suas composições são todas em inglês, a língua que ele acredita conseguir se expressar melhor, não só escrevendo como cantando "Em português não consigo me expressa, minha voz muda, não se encaixa, fica diferente"
Além do violão, que é a sua paixão, toca outros instrumentos como, bateria, flauta, gaita e pandeiro.
Nesse seu tempo de carreira, antes da prefeitura liberar tocar nas ruas, já viu muitos amigos se envolvendo em brigas com a policia, por ser pego ou confiscado para não tocar em vias públicas.
Atualmente, aos 54 anos, mora na região da República no centro de São Paulo, mas têm planos de ano que vem, voltar para Londres e passar pela França, já que adora os vinhos de lá e está aprendendo a língua local.Veja Nando Lynch tocando R.E.M: